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A solidão feminina que ninguém posta no Instagram | Babilônicas

Mulheres rodeadas de gente e profundamente sozinhas. A solidão feminina que não aparece nos reels — e por que precisamos falar sobre ela sem vergonha.

A solidão feminina que ninguém posta no Instagram | Babilônicas

A solidão feminina que ninguém posta no Instagram

Ela tem 500 seguidores ou 50 mil. Tem amigas no grupo do WhatsApp, colegas de trabalho, vizinhas simpáticas, parentes próximos. Talvez tenha marido, filhos, cachorro. A vida parece cheia.

E ela está sozinha.

Não sozinha de morar sozinha. Sozinha de não ter com quem ser inteira. De não ter um espaço onde não precise performar. Onde possa dizer "não estou bem" sem que a outra pessoa entre em pânico, dê conselho ou mude de assunto.

Essa solidão não tem hashtag. Mas ela é real.

A solidão que vem de estar rodeada

Existe um tipo de solidão que só quem está "acompanhada" entende. É a solidão de estar num casamento onde a conversa morreu. De ser mãe em tempo integral e não ter 10 minutos de silêncio interno. De ter um grupo de amigas com quem você sai, mas nenhuma pra quem liga quando chora.

É a solidão de quem cuida de todo mundo e não é cuidada por ninguém.

Essa solidão não aparece. Porque do lado de fora, tudo funciona. A mulher funciona. O casamento funciona. A família funciona. E dentro, a coisa está desmoronando em câmera lenta.

Por que mulheres sentem mais e falam menos

Mulheres são socializadas pra serem o tecido conectivo das relações. São elas que mantêm amizade, que lembram do aniversário, que perguntam "como você tá?", que organizam o encontro. São o centro emocional de quase todas as redes em que estão.

Mas quem é o centro emocional delas?

Essa conta não fecha. A mulher que segura tudo — o trabalho, a casa, as emoções dos filhos, a agenda do marido, a saúde dos pais — raramente tem espaço pra dizer "eu não estou dando conta". Porque dizer isso significaria que o sistema inteiro pode desabar. E o sistema depende dela.

Então ela cala. Funciona. E a solidão cresce.

A solidão da mulher jovem

Se você acha que solidão é problema de mulher mais velha, converse com uma jovem de 20 anos.

A geração que mais se conecta digitalmente é também a que mais relata solidão. Ter 2 mil amigos no Instagram e ninguém pra chamar numa sexta à noite. Ver todo mundo postando festas, viagens, casais felizes — e sentir que está por fora de algo.

A solidão da mulher jovem é comparativa. É mediada por tela. É amplificada por algoritmo. E é silenciosa porque admitir que está sozinha aos 22 parece fracasso social.

A solidão depois dos 40

A amiga do colégio que você perdeu contato. As colegas de trabalho que eram próximas até você mudar de emprego. O casamento que consumiu suas amizades porque "casal é com casal". Os filhos que levaram toda a sua energia social.

Chegar aos 40, 50, e perceber que seu círculo encolheu é uma experiência comum — e raramente discutida. Reconstruir amizades adultas dá trabalho. Exige vulnerabilidade, tempo, disponibilidade. Coisas que mulheres sobrecarregadas não têm de sobra.

Mas é possível. E é necessário.

Amizade feminina: o antídoto mais subestimado

Pesquisas em psicologia consistentemente mostram que amizades íntimas são um dos maiores preditores de bem-estar e longevidade — mais do que dinheiro, mais do que status, às vezes mais do que relacionamento romântico.

E amizade feminina, especificamente, tem um poder que poucas relações alcançam: a capacidade de acolher sem consertar. De ouvir sem julgar. De dizer "eu também" e fazer o mundo parecer menos cruel.

O problema é que tratamos amizade como subproduto da vida — algo que acontece naturalmente. Mas na vida adulta, amizade precisa de intenção. De convite. De insistência. De vulnerabilidade.

Como sair da solidão (sem fingir que é fácil)

Primeiro: nomeie. Dizer "estou me sentindo sozinha" não é autocomiseração. É honestidade. E geralmente, quando você diz isso em voz alta, descobre que muita gente ao redor sente o mesmo.

Segundo: seja a primeira a ligar. Não espere que alguém adivinhe que você precisa de companhia. Chama. Convida. Insiste. Três vezes se precisar.

Terceiro: busque espaços de pertencimento. Grupos, comunidades, coletivos, rodas de conversa. Não precisa ser algo grandioso — pode ser um grupo de leitura, uma aula de cerâmica, uma comunidade online.

Quarto: considere ajuda profissional. Se a solidão está te consumindo, terapia ajuda a entender os padrões que te isolam — e a construir pontes.

Ser Babilônica é dizer "eu também"

A Babilônicas existe pra ser esse espaço. Onde mulheres se encontram sem filtro. Onde solidão não é vergonha — é ponte. Onde dizer "eu também me sinto assim" é o começo de uma conexão real.

Você não está sozinha em estar sozinha. Parece paradoxo, mas é a verdade mais libertadora que existe.


Se a solidão está afetando sua saúde mental, não hesite em buscar ajuda. Terapia, rodas de conversa e comunidades de apoio são caminhos reais pra reconexão.

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